terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CURRÍCULO MARINA ALMEIDA 2013

                                    INSTITUTO INCLUSÃO BRASIL

                                                 Rua Jacob Emmerich, 365 conj.13

                                        São Vicente – Centro – SP - CEP 11310-071

                                                   (13) 30191443 ou (13) 34663504

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Consultora de Educação Inclusiva, Pedagoga Especialista, Psicóloga Clínica e Escolar e Psicopedagoga Clínica, Escolar e Institucional. CRP 41029/06


QUALIFICAÇÕES

  • Fundadora do Instituto Inclusão Brasil em São Vicente-SP, Consultora em Educação Inclusiva, fazendo palestras e capacitações em vários municípios e estados no Brasil.
  • Lecionei nos cursos de graduação de Pedagogia, Serviço Social e eventualmente nos cursos de pós-graduação de Pedagogia, Supervisão e Enfermagem da UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto - Campus Guarujá.
  • Fui Consultora de Educação Inclusiva na Fundação síndrome de Down de Campinas e APAE de Santos.
  • Trabalhei por 19 anos como funcionária pública na Prefeitura Municipal de São Vicente.
  • Conhecimentos em relacionamentos interpessoais e coordenação de equipe multidisciplinar.
  • Expertise em criação, desenvolvimento e implantação de projetos para sistemas inclusivos: inclusão social, laboral, educacional e acessibilidade para pessoas com deficiência.
  • Pedagoga Especialista: Altas Habilidades/Superdotação, Deficiência Intelectual, Síndrome de Down, Síndrome de Asperger e Autismo.
  • Psicóloga Clínica e Escolar - Experiência Clínica e Escolar de base Psicanalítica. Atendimentos psicoterápicos para crianças com ou sem deficiência, adolescentes, adultos, família e casais. Supervisão e grupos de estudos para: psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos.
  • Psicopedagoga Clínica, Escolar e Institucional: especialista em Transtornos de Aprendizagem, THDA – Transtornos de Hiperatividade e Déficit de Atenção Concentração, Dislexia, Disgrafia e Discalculia.

GRADUAÇÃO
  • Pedagoga em Ed. Especial: Centro de Estudos Superiores do Carmo - 1984 – Santos – SP
  • Psicóloga Clínica e Escolar: UNISANTOS - 1992 – Santos - SP

PÓS - GRADUAÇÃO
  • Psicopedagogia Clínica, Escolar e Institucional: Lato Senso - UNISANTOS – 1996 – Santos – SP - Currículo no Sistema de Currículo Lattes
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4162099E0

CURSOS DE ESPECIALIZAÇÕES, ANÁLISE PESSOAL E SUPERVISÃO
  • Especialista em Ludoterapia: Casa do Psicólogo – 1993 – SP
  • Especialista em Psicodiagnóstico Infantil e Juvenil: Casa do Psicólogo – 1993 – SP
  • Especialista em THDA – Transtorno de Hiperatividade e Déficit de Atenção Concentração: Associação Brasileira de THDA – Transtorno de Hiperatividade e Déficit de Atenção Concentração – 1998 – SP
  • Especialista em Dislexia, Discalculia e Disgrafia: ABD - Associação Brasileira de Dislexia – 1995 – SP
  • Especialista em THDA e Dislexia – Faculdade de Medicina do Grande ABC – 2009 - São Bernardo –SP
  • Especialista em Autismo e Síndrome de Asperger: Faculdade de Educação da USP e AMA - Associação de Amigos do Autismo. Abordagens em Psicanálise, Floor Time, TEACCH, ABA e PCS.
  • Especialista em Currículo Funcional Natural – 2009 - CASP - Centro Ann Sullivan – Peru
  • Grupos de Estudos em Psicanálise com a Psicanalista Maria José F. Mota - 1991 a 1998.
  • Análise Pessoal com a Psicanalista Analista Didata Vera Lúcia Blank Gonçalves, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
  • Supervisão Psicanalítica de janeiro de 2005 a dezembro de 2007, com o Psicanalista e Analista Didata, Dr. Roosevelt Moisés Smeke Cassorla, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
  • Supervisão Psicanalítica, com o Psicanalista e Analista Didata, Dr. David Léo Levisky, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Agosto/1985 a outubro/2003
Prefeitura Municipal de São Vicente
Atividades: Pedagoga em Educação Especial, lecionando para alunos com necessidades especiais na Rede Municipal e APAE de São Vicente (crianças/adolescentes /adultos Deficientes Intelectuais e Auditivos).
Agosto/ 1993 até hoje
Atuando como Psicóloga Clínica e Escolar, em Consultório Particular.
Outubro /1995
Comissionada Psicóloga - Prefeitura Municipal de São Vicente
Apresentei ao então Secretário da Educação, um Projeto Psicopedagógico para implantação no município em caráter experimental, sendo pioneiro na Baixada Santista.
Janeiro/1997
Autorização para implantação do Projeto Psicopedagógio/NUMAPS - Núcleo Municipal de Atendimento Psicopedagógico, para Rede do Municipal de Ensino de São Vicente, atendendo crianças na faixa etária de 6 a 12 anos, que apresentassem dificuldades de aprendizagem, sendo então a coordenadora da instituição, dirigindo a equipe multidisciplinar composta por psicólogas, fonoaudiólogas e psicopedagogas. O projeto atendeu 40 escolas do município (Educação Infantil e Ensino Fundamental), profissionais da rede municipal de ensino, crianças, adolescentes, pais, educadores, profissionais afins, promoveu eventos e capacitou mais de 2000 profissionais da educação.
Dezembro/2000 a Setembro/2001
Regulamentação do projeto pela Câmara dos Vereadores – NUMAPS como Departamento Psicopedagógico fazendo parte da Diretoria de Educação Especial da Secretaria de Educação de São Vicente. Tornou-se uma instituição de utilidade pública prestadora de serviços a rede municipal de ensino de São Vicente. Ampliação do Serviço com a inauguração do NUMAPS II e ampliação da faixa etária de 5 a 14 anos. Hoje o serviço chama-se DAP - Departamento de Atendimento Psicopedagógico.
Janeiro/2002 a setembro/2003
Comissionada na Secretaria da Educação de São Vicente na Diretoria de Educação Especial, para fazer parte da equipe do Projeto “Escola-Inclusiva”. Desenvolvi o Projeto “Inclusão Preventiva”. Teve como objetivo a sensibilização do ser humano, trabalhando preconceitos e esteriótipos para o paradigma da inclusão, como forma gradativa de incluir alunos com necessidades especiais, numa sociedade para todos. Proposta desenvolvida com todos os integrantes da unidade escolar (da diretora ao porteiro). Comissionada como Psicóloga Educacional na Escola Municipal CEESV/NUMAA Centro de Educação Especial de São Vicente e Núcleo Municipal de Atendimento ao Autista.
Janeiro/2002 a abril/2005
Convidada para integrar na Comissão Gestora, do Conselho Regional de Psicologia Subsede Baixada Santista e Vale do Ribeira.
Outubro/2003 a janeiro/2004
Convidada para integrar na Comissão Fiscalizadora e de Orientação aos Psicólogos através do Conselho Regional de Psicologia do Estado de São Paulo – Sede SP.
Fevereiro/2004
Lançamento da coleção de Livros “Caminhos para uma Inclusão Humana”, em Belém do Pará, sendo promovido o I Encontro de Educação Inclusiva pela Editora Didática Paulista para 123 municípios.
Janeiro/2005 a dezembro/2006
Contratada como supervisora e depois como Consultora em Educação Inclusiva, pela Prefeitura Municipal de Guarujá - Secretaria Municipal de Educação Guarujá.
Fevereiro/2005 a dezembro/2006
Contratada como docente pela Universidade de Ribeirão Preto - UNAERP Campus Guarujá para lecionar nos Cursos de Graduação e Pós Graduação. http://www.unaerp.br/
Junho/2005
Em Portugal-Lisboa – lançamento da Coletânea - “Caminhos para a Inclusão Humana”: Teoria e Prática, publicado pela Editora ASA,PT.
Setembro/2005 a dezembro/2008
Contratada como consultora da Fundação Síndrome de Down – Campinas - SP. www.fsdown.org.br – Desenvolvendo o Projeto “Roda de Conversa – um instrumento para inclusão”, com a colaboração do Prof. José Pacheco e com parceria com SEESP/MEC.
Responsável pela Implantação de programas para o mercado de trabalho segundo modelos inspirados na Itália “Centro de Estudos” da ASL3 “Genovesa” e Espanha – Fundación Catalana de Síndrome de Down e inclusão escolar inspirados no modelo da Escola da Ponte em Portugal. www.eb1-ponte-n1.rcts.pt/
Outubro/ 2011 a março/2012
Consultora da APAE de Santos de outubro de 2011 a março de 2012. Implantação do Plano Político Pedagógico – Currículo Funcional Natural.

PALESTRAS REALIZADAS

·         Federação Nacional das APAES de Piauí – Congresso Internacional das APAES - Curso Família e Inclusão - http://www.apaebrasil.org.br/artigo.phtml/12254.
·         APAE de Santos – Curso de Capacitação Currículo Funcional Natural, Plano Individual de Ensino e Tecnologia Assistiva e Cominação Alternativa. -http://www.apaesantos.org.br/
·         APAE de Santos – Consultoria: Planejamento Estratégico e Plano Político Pedagógico.
·         Rede Sementeira de Santos – Curso Tornando as Escolas Inclusivas - http://www.redesementeira.org/Interagimos.htm.
·         APAE de Batatais – Curso Currículo Funcional Natural e Plano Individual de Ensino -http://www.apaebatatais.org.br/
·         Colégio de Ed. Infantil e Ensino Fundamental Jean Piaget de São Vicente – Curso de Capacitação Educação Inclusiva - http://www.jeanpiagetsv.com.br/site/.
·         Diretoria de Ensino de Santo André e região – Inserção da Pessoa com Deficiência Intelectual no mercado de trabalho.
·         Escola de Ed. Infantil e Ensino Fundamental Liceu Santista - http://www.liceusantista.com.br/
·         Colégio Integração de São Vicente – Família, Pais, Parceiros da Escola - http://www.souintegracao.com.br/v2/
·         Unaerp – Universidade de Ribeirão Preto – Campus Guarujá Semana da Pedagogia – Sexualidade das Pessoas com Deficiência.
·         Unaerp – Universidade de Ribeirão Preto – Campus Guarujá Semana da Pedagogia –
·         Self Advocacy – Auto Defensoria para Pessoas com Deficiência.
·         Unaerp – Universidade de Ribeirão Preto – Campus Guarujá Semana da Pedagogia – Educação Inclusiva
·         Fundação Síndrome de Down Campinas – Avaliação e Acessibilidade para Pessoas com Deficiência - http://www.fsdown.org.br/
·         Fundação Síndrome de Down Campinas – Transformando as Escolas Inclusivas.
·         Fundação Síndrome de Down Campinas – A Família e as Relações Institucionais.
·         Evento Regional do Ano de Educação - Conselho Regional de Psicologia – Relatora do Conselho Regional de Psicologia Subsede Baixada Santista - encaminhamentos de teses para mudanças da legislação da Educação Especial do SEESP/MEC.
·         Congresso Intern. de Educ. - Faculdade Palotina - Santa Maria - RS - http://www.fapas.edu.br/
·         Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande - MS
·         Secretaria Municipal de Educação de Bagé - RS
·         Secretaria Municipal de Educação de Paranaíba – MS
·         NAPNE – Núcleo de Atend. a Pessoas com Necessidades Especiais - Santos - SP
·         Secretaria Municipal de Educação de Caxias do Sul - RS
·         Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis - RS
·         Secretaria Municipal de Educação de Garibaldi - RS
·         Secretaria Municipal de Educação de Nova Prata - RS
·         Secretaria Municipal de Educação de Pederneiras - SP
·         Secretaria Municipal de Educação de Itapevi - SP
·         Secretaria Municipal de Educação de Registro - SP
·         Secretaria Municipal de Educação de Suzano - SP
·         Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes - SP
·         Secretaria Municipal de Educação de Limeira - SP
·         Secretaria Municipal de Educação de Presidente Venceslau - SP
·         Secretaria Municipal de Educação de Bebedouro - SP
·         Secretaria Municipal de Educação de Três Lagoas - MS - http://www.3lagoas.com.br/
·         SENAI e CIESP Santos – Empregabilidade da Pessoa com Deficiência.
·         SENAI e CIESP Santos – Apresentação Instituto Inclusão Brasil.
·         USP - Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - http://www.direito.usp.br/
·         Associação de Síndrome de Down - RioDown - RJ
·         Conselho Regional de Psicologia - vários eventos - http://www.crpsp.org.br/crp/
·         Porto Seguro/Seguros - Santos - SP - http://www.portoseguro.com.br/

SITE OFICIAL INSTITUTO INCLUSÃO BRASIL E BLOGS

Site Instituto Inclusão Brasil – 345 artigos
Blog Instituto Inclusão Brasil - 210 artigos
Blog Consultório de Psicologia e Psicanálise - 92 artigos
http://psicoterapiamarinaalmeida.blogspot.com/

PUBLICAÇÕES EM LIVROS E REVISTAS

  • Caminhos para uma Inclusão Humana
  • Manual Informativo para Educadores sobre Educação Inclusiva
  • Manual Informativo Para Pais sobre Educação Inclusiva
  • Manual de Observação em Sala de Aula
  • Manual Ajudando os Portadores de Necessidades Especiais
  • Todas as obras foram publicadas pela Editora Didática Paulista, SP, 2004. www.didatica.com.br
  • Editora ASA de Portugal www.asa.pt - livro em formato único Teoria e Prática: Caminhos para Inclusão Humana, 2005 - www.asa.pt/autores/autor.php?id=1673
  • Educação humanizadora e os desafios da diversidade, orgs. Celso Ilgo Hunz, Ricardo Rossato e Valdo Bardos – in Cap. 9 – “Roda de Conversa um instrumento para inclusão” – Santa Cruz do Sul – EDUNISC, SC, 2009.
  • Revista Eletrônica Ibero Americana de Educación – Espanha – Sexualidade da Pessoa com Síndrome de Down - www.rieoei.org/deloslectores/2101Almeida.pdf , 2009.
  • Revista do Conselho Federal de Fonoaudiologia – A Inclusão das Pessoas com Deficiência Intelectual, Ed. Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, SP, 2008.
  • Revista Projetos Escolares e Inclusão, Ano I, no. 1, abril/2010  - Projetos Pedagógicos para Crianças com Deficiência Intelectual, OnLine Editora, SP, 2010.
  • Revista Ciranda da Inclusão, Ano I, no. 06, maio/2010 – O arco íris do autismo. Ed. Ciranda da Inclusão, SP, 2010.
  • Revista Alvo-Leste – Bullying: Orientação para Pais e Profissionais. Ed. Alvo Leste – SP, 2010.
  • Revista Festa & Cia – Dislexia como detectar? Ano II, no.29 junho – 2011- Ed. Nova Arte -SP
  • Revista Guia Prático Para Professores de Ed. Infantil, Ano IX, no. 108, abril/2012 – Educação Inclusiva: atuação em sala de aula. Ed. Escala Educacional, SP, 2012
  • Revista Nacional de Reabilitação – REAÇÃO, Ano V, no. 86, maio/junho – Inclusão também é falar de violência – Ed. C e G 12 – Comunicação, SP, 2012.
  • Revista Família Cristã – THDA Orientação a Família, Ano 78, no. 922 outubro  – Ed. Paulinas – SP- 2012

PUBLICAÇÕES EM SITES NA INTERNET



                                                                       Marina S. Rodrigues Almeida
Psicóloga CRP 41029/6
Sócia-proprietária do Instituto Inclusão Brasil

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A COMUNIDADE ESCOLAR E AS PRÁTICAS INCLUSIVAS


A COMUNIDADE ESCOLAR E AS PRÁTICAS INCLUSIVAS



Marina da Silveira Rodrigues Almeida

Consultora em Educação Inclusiva

Psicóloga e Pedagoga especialista

Instituto Inclusão Brasil

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Toda a comunidade escolar pode exercer uma influência positiva muito relevante sobre o desempenho integral dos alunos, segundo a filosofia da educação inclusiva. Inversamente, qualquer pessoa da comunidade escolar poderia influir negativamente, ou seja, deixaria de ser útil na formação geral dos educandos. Como se explica isso?



Explicações históricas



Vamos, de modo simplista, dividir a história da educação em quatro épocas, no que se refere aos alunos com deficiência.



Exclusão (antes do século 16)

Nesta época, nenhuma atenção educacional foi oferecida às pessoas com deficiência, que também não recebiam outros serviços. A sociedade simplesmente ignorava, rejeitava, perseguia e explorava estas pessoas, então consideradas ‘possuídas por maus espíritos ou vítimas da sina diabólica e feitiçaria’ (Jönsson, 1994, p.61)



Segregação (séculos 17 a início do século 20)

Excluídas da sociedade e da família, pessoas com deficiência eram geralmente atendidas em instituições por motivos religiosos ou filantrópicos e tinham pouco ou nenhum controle sobre a qualidade da atenção recebida.



Integração (décadas de 40 a 80)

Segundo Jönsson (1994, p.61), foi neste contexto que emergiu, em muitos países em desenvolvimento, a ‘educação especial’ para crianças com deficiência, administrada por instituições voluntárias, em sua maioria religiosas, com consentimento governamental, mas sem nenhum outro tipo de envolvimento por parte do governo. Algumas dessas crianças passaram a vida inteira dentro das instituições.

Surgiram, também, escolas especiais, assim como centros de reabilitação e oficinas protegidas de trabalho, pois a sociedade começou a admitir que pessoas com deficiência poderiam ser produtivas se recebessem escolarização e treinamento profissional.

Esta época viu surgirem as classes especiais dentro de escolas comuns, o que aconteceu não por motivos humanitários e sim para garantir que as crianças com deficiência ‘não interferissem no ensino’ ou ‘não absorvessem as energias do professor’ a tal ponto que o impedissem de ‘instruir adequadamente o número de alunos geralmente matriculados numa classe’ (Chambers & Harman, in Jönsson, 1994, p.62).

Os testes de inteligência, criados em 1905, desempenharam um papel relevante, no sentido de identificar e selecionar apenas as crianças com potencial acadêmico. ‘Este elitismo, que ainda é defendido com freqüência, serve para justificar a instituição educacional na rejeição de mais de um terço ou até a metade do número de crianças a ela encaminhadas. Tal desperdício não seria tolerado em nenhum outro campo de atividade.’ (Unesco, in Jönsson, 1994, p.62)



Inclusão (última década do século 20 e início do século 21)

Inspirada no lema do Ano Internacional das Pessoas Deficientes (“Participação Plena e Igualdade”), tão disseminada em 19o81, uma pequena parte da sociedade em muitos países começou a tomar algum conhecimento da necessidade de mudar o enfoque de seus esforços. Para que as pessoas com deficiência realmente pudessem ter participação plena e igualdade de oportunidades, seria necessário que não se pensasse tanto em adaptar as pessoas à sociedade e sim em adaptar a sociedade às pessoas (Jönsson, 1994, p.63). Isto deu início ao surgimento do conceito de inclusão a partir do final da década de 80.

Países desenvolvidos, como os EUA, o Canadá, assim como a Espanha e a Itália, foram os pioneiros na implantação de classes inclusivas e de escolas inclusivas.

Segundo Mantoan (1997), a inclusão “questiona não somente as políticas e a organização da educação especial e regular, mas também o conceito de mainstreaming. A noção de inclusão institui a inserção de uma forma mais radical, completa e sistemática.

O vocábulo integração é abandonado, uma vez que o objetivo é incluir um aluno ou um grupo de alunos que já foram anteriormente excluídos; a meta primordial da inclusão é a se não deixar ninguém no exterior do ensino regular, desde o começo. As escolas inclusivas propõem um modo de se constituir o sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é estruturado em virtude dessas necessidades. A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apóia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral.” (p.145)



Explicações conceituais



Nos últimos 20 anos, o mundo conheceu conceitos que mudaram radicalmente a maneira como as pessoas com deficiência devem ser vistas, tratadas e inseridas nos sistemas sociais gerais. Os principais conceitos são os seguintes:



Autodefesa. Ato pelo qual uma pessoa defende por si mesma os seus direitos e interesses políticos.

Autonomia. Condição de domínio no ambiente físico e social, preservando ao máximo a privacidade e a dignidade da pessoa que a exerce. Daí os conceitos de ‘autonomia física’ e ‘autonomia social’.

Cooperação e colaboração. Promovem a ajuda mútua, o respeito mútuo, a aceitação das limitações e das capacidades de cada pessoa, construindo assim cidadãos tolerantes, não-preconceituosos, abertos e acolhedores.

Diferenças individuais. Decorrem de idade, combinação única de inteligências múltiplas com estilos de aprendizagem, temperamento, aptidões e habilidades, interesses, compleição física, aspirações e sonhos, experiência de vida etc.

Diversidade humana. Fato numa sociedade plural, ela é composta por todos os segmentos demográficos representados por gênero, orientação sexual, etnias, raças, nacionalidades, naturalidades, regiões socioeconômicas, histórico infracional, histórico penitenciário, deficiências (física, intelectual, visual, auditiva, múltipla, orgânica, psiquiátrica) etc.

Empoderamento. Processo pelo qual uma pessoa, ou um grupo de pessoas, usa o seu poder pessoal inerente à sua condição – por exemplo: deficiência, gênero, idade, cor – para fazer escolhas, tomar decisões e assumir o controle de sua vida.

Equiparação de oportunidades. Processo mediante o qual os sistemas gerais da sociedade, tais como o meio físico, a habitação e o transporte, os serviços sociais e de saúde, as oportunidades de educação e de trabalho e a vida cultural e social, incluídas as instalações esportivas e de recreação, são feitos acessíveis para todos.

Inclusão social. Processo pelo qual a sociedade se adapta para poder inserir, em seus sistemas gerais, pessoas até então excluídas e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis sociais.

Independência. Faculdade de decidir sem depender de outras pessoas (por ex.: membros da família, profissionais em geral).

Modelo social da deficiência. A sociedade é chamada a ver que ela própria cria problemas para as pessoas com deficiência, causando-lhes incapacidade (ou desvantagem) no desempenho de papéis sociais em virtude dos ambientes restritivos, das políticas discriminatórias e das atitudes preconceituosas que rejeitam a minoria e todas as formas de diferenças, dos discutíveis padrões de normalidade, dos objetos e outros bens inacessíveis do ponto de vista físico, dos pré-requisitos atingíveis apenas pela maioria supostamente homogênea, da quase total desinformação sobre necessidades especiais e deficiências e sobre os direitos das pessoas que têm essas necessidades, e das práticas discriminatórias existentes em muitos setores da atividade humana.

Necessidades especiais.  Este termo não é sinônimo de palavra ‘deficiência’ e nem a substitui. As necessidades especiais podem resultar de três situações principais: [1] Dificuldades de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento humano, vinculadas a causas orgânicas (deficiências, síndromes, disfunções) ou vinculadas a causas sociais (trabalho infantil, prostituição infantil, situação de rua, diversidade regional, pobreza/miséria etc.), [2] Dificuldades de comunicação e sinalização (oral, escrita, visual, auditiva, gestual etc.) e [3] Altas habilidades (superdotação) e grande facilidade de aprendizagem (Resolução CNE/CEB nº 2, 11/9/01).

Rejeição zero. Conceito que se refere a não rejeitar (excluir) uma pessoa, para qualquer finalidade, com base no fato de que ela possui uma deficiência ou por causa do grau de gravidade dessa deficiência, sendo que as instituições precisam ser capazes de criar programas e serviços internamente e/ou de buscá-los em entidades comuns existentes na comunidade a fim de melhor atenderem as pessoas com deficiência.



Explicações tecnológicas



O paradigma da inclusão trouxe no seu bojo imensos espaços que possibilitaram o desenvolvimento de um conjunto de tecnologias a serem utilizadas na aplicação de medidas de acessibilidade. Estas medidas de acessibilidade, por sua vez, contribuem decisivamente para o desempenho dos alunos, com ou sem deficiência, no processo de ensino e aprendizagem.

Na década de 90, começou a ficar cada vez mais claro que a acessibilidade deverá seguir o paradigma do desenho (design) universal, segundo o qual os ambientes, os meios de transporte e os utensílios devem ser projetados para todos (portanto, não apenas para pessoas com deficiência). E, com o advento do paradigma da inclusão e do conceito de que a diversidade humana deve ser acolhida e valorizada em todos os setores sociais comuns, hoje entendemos que a acessibilidade não mais se restringe à dimensão arquitetônica, pois existem barreiras de vários tipos também em outros contextos que não o do ambiente arquitetônico.

Assim, existem seis dimensões de acessibilidade e elas deverão ser promovidas em todos os ambientes externos e internos. Suas respectivas características, hoje obrigatórias por lei (por ex.: Decreto federal nº 5.296, 2/12/04; Resolução CNE/CEB nº 2, 11/9/01; Lei federal nº 10.098, 19/12/00) e/ou em conseqüência do paradigma da inclusão, são as seguintes:



Acessibilidade arquitetônica: Sem barreiras nos ambientes físicos (escolas, empresas, residências, edifícios públicos, centros de convenção, espaços urbanos, equipamentos urbanos, meios de transporte individual ou coletivo etc.).

Acessibilidade comunicacional: Sem barreiras na comunicação interpessoal (face-a-face, língua de sinais, linguagem corporal, linguagem gestual etc.), na comunicação escrita (jornal, revista, livro, carta, apostila etc., incluindo textos em braile, textos com letras ampliadas para quem tem baixa visão, lupa e outras centenas de tecnologias assistivas para se comunicar) e na comunicação virtual (acessibilidade digital).

Acessibilidade metodológica: Sem barreiras nos métodos e técnicas de estudo (adequações curriculares, aulas baseadas nas inteligências múltiplas, uso de todos os estilos de aprendizagem, novos conceitos de educação, aprendizagem, avaliação do rendimento escolar, recursos didáticos etc., de trabalho (métodos e técnicas de treinamento e desenvolvimento de recursos humanos, ergonomia, novo conceito de administração empresarial, empoderamento etc.), de ação comunitária (metodologias social, cultural, artística etc., baseadas em participação ativa e protagonismo), de educação de filhos (novos métodos e técnicas nas relações familiares etc.) e de outras áreas de atividade humana.

Acessibilidade instrumental: Sem barreiras nos instrumentos e utensílios de estudo (lápis, caneta, transferidor, régua, teclado de computador, materiais pedagógicos etc.), de trabalho (ferramentas, máquinas, equipamentos etc.), de atividades da vida diária (tecnologia assistiva para comunicar, fazer a higiene pessoal, vestir, comer, andar, tomar banho etc.), de lazer, esporte e recreação (dispositivos que atendam às limitações sensoriais, físicas e intelectuais etc.) e de outras áreas de atividade humana.

Acessibilidade programática: Sem barreiras invisíveis (implícitas) embutidas em ordenamento jurídico (políticas públicas, leis, decretos, portarias, resoluções etc.), em regulamentos (institucionais, escolares, empresariais, comunitários etc. e em normas em geral.

Acessibilidade atitudinal: Sem barreiras sociais ou culturais (preconceitos, estigmas, estereótipos e discriminações), eliminadas por programas e exercícios de sensibilização e de conscientização das pessoas em geral e também através da convivência na diversidade humana.



Podemos, por exemplo, dizer que uma escola (sociedade, empresa etc.) inclusiva é aquela que está implementando gradativamente as medidas de acessibilidade nos seis contextos acima descritos.



Comunidade escolar praticando acessibilidade nos seis contextos



Uma escola em processo de modificação sob o paradigma da inclusão é, então, aquela que adota medidas concretas de acessibilidade. Quais pessoas devem adotar estas medidas? Professores, alunos, familiares, técnicos, funcionários e outros componentes da comunidade escolar. Cada uma destas pessoas tem a responsabilidade de contribuir com a sua parte, por menor que seja, na construção da inclusividade em suas escolas. Exemplos:



Arquitetura. Ajudando a remover barreiras físicas ao redor e dentro da escola, tais como: degraus, buracos e desníveis no chão, pisos escorregadios, portas estreitas, sanitários minúsculos, má iluminação, má ventilação, má localização de móveis e equipamentos etc.

Comunicação. Aprendendo o básico da língua de sinais brasileira (Libras) para se comunicar com alunos surdos; entendendo braile e sorobã para facilitar o aprendizado de alunos cegos; usando letras em tamanho ampliado para facilitar a leitura para alunos com baixa visão; permitindo o uso de computadores de mesa e/ou notebooks para alunos com restrições motoras nas mãos; utilizando desenhos, fotos e figuras para facilitar a comunicação para alunos que tenham estilo visual de aprendizagem etc.

Métodos, técnicas e teorias. Aprendendo e aplicando os 15 estilos de aprendizagem; aprendendo e aplicando a teoria das inteligências múltiplas; utilizando materiais didáticos adequados às necessidades especiais etc. É oportuno enfatizar aqui a teoria das inteligências múltiplas. Todos os integrantes da comunidade escolar devem ser informados e capacitados a respeito desta teoria a fim de que a sua aplicação se torne uma prática comum em toda a escola. Professores e alunos têm, no uso das inteligências múltiplas, o fator sine qua non do sucesso do ensino e da aprendizagem. Em todas as aulas e nas atividades extraclasse, os alunos estarão valendo-se da combinação única de suas oito inteligências para aprender, realizar trabalhos, interagir socialmente etc. Os técnicos, em especial os psicólogos, devem também trabalhar com as inteligências múltiplas para si mesmos e para os alunos e familiares. Os funcionários administrativos da escola se beneficiarão muito com o conhecimento da teoria das inteligências múltiplas e passarão a melhor compreender os comportamentos dos alunos, resultando em um melhor relacionamento interpessoal com os mesmos. Os familiares terão uma participação importante ao ajudar os professores e técnicos a identificarem os níveis de desenvolvimento das inteligências de seus filhos.

Instrumentos. Adaptando a forma como alguns alunos poderão usar o lápis, a caneta, a régua e todos os demais instrumentos de escrita, normalmente utilizados em sala de aula, na biblioteca, na secretaria administrativa, no serviço de reprografia, na lanchonete etc., na quadra de esportes etc.

Programas. Revendo atentamente todos os programas, regulamentos, portarias e normas da escola, a fim de garantir a exclusão de barreiras invisíveis neles contidas que possam impedir ou dificultar a participação plena de todos os alunos, com ou sem deficiência, na vida escolar.

Atitudes. Participando de atividades de sensibilização e conscientização, promovidas dentro e fora da escola a fim de eliminar preconceitos, estigmas e estereótipos, e estimular a convivência com alunos que tenham as mais diversas características atípicas (deficiência, síndrome, etnia, condição social etc.) para que todos aprendam a evitar comportamentos discriminatórios. Um ambiente escolar (e também familiar, comunitário etc.) que não seja preconceituoso melhora a auto-estima dos alunos e isto contribui para que eles realmente aprendam em menos tempo e com mais alegria, mais motivação, mais cooperação, mais amizade e mais felicidade.