sexta-feira, 16 de abril de 2010

CURRÍCULO: MARINA DA SILVEIRA RODRIGUES ALMEIDA




MARINA DA SILVEIRA RODRIGUES ALMEIDA
CONSULTORA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA, PEDAGOGA ESPECIALISTA, PSICOPEDAGOGA E PSICÓLOGA CLÍNICA/ESCOLAR
CRP 41029/06


Rua Jacob Emmerich, 365 conj.13
São Vicente - Centro - SP CEP 11310 -071
Telefones: (13) 30191443 consultório ou 91773793(13)

QUALIFICAÇÕES
• Fundadora do Instituto Inclusão Brasil em São Vicente-SP, Consultora em Educação Inclusiva, fazendo palestras e capacitações em vários municípios e estados.
• Lecionei nos cursos de graduação de Pedagogia, Serviço Social e eventualmente nos cursos de pós-graduação de Pedagogia, Supervisão e Enfermagem da UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto Campus Guarujá.
• Trabalhei por 19 anos como funcionária pública na Prefeitura Municipal de São Vicente.
• Conhecimentos em relacionamentos interpessoais e coordenação de equipe multidisciplinar.
• Expertise em criação, desenvolvimento e implantação de projetos para sistemas inclusivos: inclusão social, laboral, educacional e acessibilidade para pessoas com deficiência.
• Consultório Particular de Psicologia - Experiência Clínica e Escolar de base Psicanalítica. Atendimentos psicoterápicos para crianças com ou sem deficiência, adolescentes, adultos e casais. Supervisão e grupos de estudos para: psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos.

GRADUAÇÃO
Psicóloga: UNISANTOS - 1992 – Santos - SP
Pedagoga em Ed. Especial: Centro de Estudos Superiores do Carmo - 1984 – Santos – SP

CURSOS COMPLEMENTARES, ANÁLISE PESSOAL E SUPERVISÃO
• Psicopedagogia: Lato Senso - UNISANTOS – 1996 – Santos – SP
• Ludoterapia: Casa do Psicólogo – 1993 – SP
• Psicodiagnóstico: Casa do Psicólogo – 1993 – SP
• Grupos de Estudos em Psicanálise com a Psicanalista Maria José F. Mota - 1991 a 1998.
• Análise Pessoal desde 1999 até o momento com a Psicanalista Vera Lúcia Blank Gonçalves, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
• Supervisão Psicanalítica janeiro de 2005 a dezembro de 2007, com o Psicanalista e Analista Didata, Dr. Roosevelt Moisés Smeke Cassorla, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
• Supervisão Psicanalítica a partir de agosto de 2009, com o Psicanalista e Analista Didata, Dr. David Léo Levisky, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Agosto/1985 a outubro/2003
Prefeitura Municipal de São Vicente
Atividades: Pedagoga em Educação Especial, lecionando para alunos com necessidades especiais na Rede Municipal e APAE de São Vicente (crianças/adolescentes /adultos Deficientes Intelectuais e Auditivos).
Agosto/ 1993 até hoje
Atuando como Psicóloga Clínica e Escolar, em Consultório Particular.
Outubro /1995
Comissionada Psicóloga - Prefeitura Municipal de São Vicente
Apresentei ao então Secretário da Educação, um Projeto Psicopedagógico para implantação no município em caráter experimental, sendo pioneiro na Baixada Santista.
Janeiro/1997
Autorização para implantação do Projeto Psicopedagógio/NUMAPS - Núcleo Municipal de Atendimento Psicopedagógico, para Rede do Municipal de Ensino de São Vicente, atendendo crianças na faixa etária de 6 a 12 anos, que apresentassem dificuldades de aprendizagem, sendo então a coordenadora da instituição, dirigindo a equipe multidisciplinar composta por psicólogas, fonoaudiólogas e psicopedagogas. O projeto atendeu 40 escolas do município (Educação Infantil e Ensino Fundamental), profissionais da rede municipal de ensino, crianças, adolescentes, pais, educadores, profissionais afins, promoveu eventos e capacitou mais de 2000 profissionais da educação.
Dezembro/2000 a Setembro/2001
Regulamentação do projeto pela Câmara dos Vereadores – NUMAPS como Departamento Psicopedagógico fazendo parte da Diretoria de Educação Especial da Secretaria de Educação de São Vicente. Tornou-se uma instituição de utilidade pública prestadora de serviços a rede municipal de ensino de São Vicente. Ampliação do Serviço com a inauguração do NUMAPS II e ampliação da faixa etária de 5 a 14 anos. Hoje o serviço chama-se DAP - Departamento de Atendimento Psicopedagógico.
Janeiro/2002 a setembro/2003
Comissionada na Secretaria da Educação de São Vicente na Diretoria de Educação Especial, para fazer parte da equipe do Projeto “Escola-Inclusiva”. Desenvolvi o Projeto “Inclusão Preventiva”. Teve como objetivo a sensibilização do ser humano, trabalhando preconceitos e esteriótipos para o paradigma da inclusão, como forma gradativa de incluir alunos com necessidades especiais, numa sociedade para todos. Proposta desenvolvida com todos os integrantes da unidade escolar (da diretora ao porteiro). Comissionada como Psicóloga Educacional na Escola Municipal CEESV/NUMAA Centro de Educação Especial de São Vicente e Núcleo Municipal de Atendimento ao Autista.
Janeiro/2002 a abril/2005
Convidada para integrar na Comissão Gestora, do Conselho Regional de Psicologia Subsede Baixada Santista e Vale do Ribeira.
Outubro/2003 a janeiro/2004
Convidada para integrar na Comissão Fiscalizadora e de Orientação aos Psicólogos através do Conselho Regional de Psicologia do Estado de São Paulo – Sede SP.
Fevereiro/2004
Lançamento da coleção de Livros “Caminhos para uma Inclusão Humana”, em Belém do Pará, sendo promovido o I Encontro de Educação Inclusiva pela Editora Didática Paulista para 123 municípios.
Janeiro/2005 a dezembro/2006
Contratada como supervisora e depois como Consultora em Educação Inclusiva, pela Prefeitura Municipal de Guarujá - Secretaria Municipal de Educação Guarujá.
Fevereiro/2005 a dezembro/2006
Contratada como docente pela Universidade de Ribeirão Preto - UNAERP Campus Guarujá para lecionar nos Cursos de Graduação e Pós Graduação. http://www.unaerp.br/
Junho/2005
Em Portugal-Lisboa – lançamento da Coletânea - “Caminhos para a Inclusão Humana”: Teoria e Prática, publicado pela Editora ASA,PT.
Setembro/2005 a dezembro/2008
Contratada como consultora da Fundação Síndrome de Down – Campinas - SP. www.fsdown.org.br – Desenvolvendo o Projeto “Roda de Conversa – um instrumento para inclusão”, com a colaboração do Prof. José Pacheco e com parceria com SEESP/MEC.
Responsável pela Implantação de programas para o mercado de trabalho segundo modelos inspirados na Itália “Centro de Estudos” da ASL3 “Genovesa” e Espanha – Fundación Catalana de Síndrome de Down e inclusão escolar inspirados no modelo da Escola da Ponte em Portugal. www.eb1-ponte-n1.rcts.pt/

Junho/2006 até a presente data
Fundadora do Instituto Inclusão Brasil, com sede na cidade de São Vicente-SP. Realizando consultorias, palestras e capacitações.

PALESTRAS REALIZADAS

• Escola de Ed. Infantil e Ensino Fundamental Liceu Santista - http://www.liceusantista.com.br/
• Evento Regional do Ano de Educação - Conselho Regional de Psicologia – Relatora do Conselho Regional de Psicologia Subsede Baixada Santista - encaminhamentos de teses para mudanças da legislação da Educação Especial do SEESP/MEC.
• Congresso Intern. de Educ. - Faculdade Palotina - Santa Maria - RS - http://www.fapas.edu.br/
• Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande - MS
• Secretaria Municipal de Educação de Bagé - RS
• Secretaria Municipal de Educação de Paranaíba – MS
• NAPNE – Núcleo de Atend. a Pessoas com Necessidades Especiais - Santos - SP
• Secretaria Municipal de Educação de Caxias do Sul - RS
• Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis - RS
• Secretaria Municipal de Educação de Garibaldi - RS
• Secretaria Municipal de Educação de Nova Prata - RS
• Secretaria Municipal de Educação de Pederneiras - SP
• Secretaria Municipal de Educação de Itapevi - SP
• Secretaria Municipal de Educação de Registro - SP
• Secretaria Municipal de Educação de Suzano - SP
• Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes - SP
• Secretaria Municipal de Educação de Limeira - SP
• Secretaria Municipal de Educação de Presidente Venceslau - SP
• Secretaria Municipal de Educação de Bebedouro - SP
• Secretaria Municipal de Educação de Três Lagoas - MS - http://www.3lagoas.com.br/
• Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - USP - http://www.direito.usp.br/
• Associação de Síndrome de Down - RioDown - RJ
• Conselho Regional de Psicologia - vários eventos - http://www.crpsp.org.br/crp/
• Porto Seguro/Seguros - Santos - SP - http://www.portoseguro.com.br/

SITE OFICIAL INSTITUTO INCLUSÃO BRASIL E BLOGS

Site Instituto Inclusão Brasil
www.instituoinclusaobrasil.com.br
Blog Instituto Inclusão Brasil - 100 artigos
http://inclusaobrasil.blogspot.com/
Blog Consultório de Psicologia e Psicanálise- 25 artigos
http://psicoterapiamarinaalmeida.blogspot.com/

PUBLICAÇÕES

Livros e Revistas

• Caminhos para uma Inclusão Humana
• Manual Informativo para Educadores sobre Educação Inclusiva
• Manual Informativo Para Pais sobre Educação Inclusiva
• Manual de Observação em Sala de Aula
• Manual Ajudando os Portadores de Necessidades Especiais
• Todas as obras foram publicadas pela Editora Didática Paulista, SP, 2004. www.didatica.com.br
• Editora ASA de Portugal www.asa.pt - livro em formato único Teoria e Prática: Caminhos para Inclusão Humana, 2005 - www.asa.pt/autores/autor.php?id=1673
• Educação Humanizadora e os desafios da diversidade, orgs. Celso Ilgo Hunz, Ricardo Rossato e Valdo Bardos – in Cap. 9 – Roda de Conversa um instrumento para inclusão – Santa Cruz do Sul – EDUNISC, SC, 2009.
• Revista Eletrônica Ibero Americana de Educación – Espanha – Sexualidade da Pessoa com Síndrome de Down - www.rieoei.org/deloslectores/2101Almeida.pdf
• Revista do Conselho Federal de Fonoaudiologia – A Inclusão das Pessoas com Deficiência Intelectual, 2008.
• Revista Ciranda da Inclusão – O arco íris do autismo. Ed. Ciranda da Inclusão, SP, 2010
• Revista Projetos Escolares e Inclusão - Projetos Pedagógicos para Crianças com Deficiência Intelectual, OnLine Editora, SP, 2010.
• Jornal do Futuro – coluna mensal de educação – Mozinhos – PortugaL

Sites

• Domínio Feminino - Vários artigos www.dominiofeminino.com.br/.../marina_srodriguesa.htm
• Eduk – Colunas do Portal: Vários Artigos www.edukbr.com.br/colunas/autor_conteudo.asp?Id=20
• UNIVERSONeo- Consultora de Educação Inclusiva do site www.universoneo.com.br/edinclusiva/39-eduinclusiva/59-marinasra.html
• Profala – PT Vários Artigos www.profala.com/artigoseducesp.htm
• Secretaria Municipal de Educação de Salvador - Inteligências múltiplas, estilos de aprendizagem e educação de qualidade - www.smec.salvador.ba.gov.br
• Cedapbrasil – Autismo e Desordens do Espectro Autista -www.cedapbrasil.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=156
• Revela – Tornando as Escolas Inclusivas e -www.fals.com.br/revela7/anterior.htm
• Bengala Legal - A Escola Inclusiva do século XXI: as crianças podem esperar tanto tempo? - www.bengalalegal.com/educacao-inclusiva.php
• Congresso "Os Direitos da Pessoa com Deficiência e sua Inclusão na Sociedade Brasileira" - Lei do Aprendiz e cotas para as pessoas com deficiência no setor público http://styx.nied.unicamp.br:8080/todosnos/noticias/congresso-os-direitos-da-pessoa-com-deficiencia-e-sua-inclusao-na-sociedade-brasileira-c-a-xi-de-agosto/
• Universo Autista – Autismo e Inclusão - www.universoautista
• APAE Batatais – Vários Artigos sobre Educação Inclusiva -www.apaebatatais.org.br
• Secretaria Municipal de Educação de Caxias do Sul - A Escola Inclusiva e os alunos com Deficiência Intelectual www.caxias.rs.gov.br
• Grupo Papeando A família e a escola inclusiva – www.grupopapeando.wordpress.com
• Publicação sobre Escolarização da Criança Autista, na sexta edição, ano um da
• Sindicato dos Bancários da CUT - Acesso de pessoas com Síndrome de Down ao mercado de trabalho é restrito. www.spbancarios.com.br/noticia.asp?c=10638
• Agência Senado Governo Federal – Empregabilidade das Pessoas com Síndrome de Down - http://www.senado.gov.br/
• Agência Senado Governo Federal – Aposentadoria para Pessoas com Deficiência - Projeto de Lei Complementar (PLP) 277/05Empregabilidade das Pessoas com Síndrome de Down - www.senado.gov.br
• Arca Universal – R7 – Sexualidade Infantil e Orientação para os Pais http://www.arcauniversal.com/index.jsp
• Gazeta do Povo - Curitiba – Em Nome do Pai - www.gazetadopovo.com.br/
• Gazeta do Povo - Curitiba – Violência nas Escolas e Cidadania www.gazetadopovo.com.br/
• Jornal do Estado do Rio de Janeiro On Line – O Uso das Pulseiras Coloridas ou Snap Game - www.oestadorj.com.br/o
• Revista Pais e Filhos Net – As Diferenças entre Pai e Mãe na Maneira de Brincar com a Criança. http://revistapaisefilhos.terra.com.br/
• Portal Planeta Educação – Vários artigos sobre Educação Inclusiva -www.planetaeducacao.com.br/portal/index.asp
• Rede SACI – Vários artigos sobre Educação Inclusiva - www.saci.org.br
• Autistas.org – Vários artigos sobre Autismo e Ed. Inclusiva - www.autistas.org
• Psicologia Portugal – Vários artigos sobre Psicologia - www.psicologia.com.pt/artigos/opiniao.php?area=d15 - 81k
• Psicopedagogía Online Saúde e Educação – vários artigos -www.psicopedagogia.com.br
• Educadores do Brasil - Falar Sozinho: Amigo Invisível ou Imaginário: Como isso é compreendido nas Pessoas com Síndrome de Down http://educadoresdobrasil.ning.com/group/professorasdeedinfantil
• SWBrasil - O Que é Deficiência Intelectual ou Atraso Cognitivo? www.swbrasil.org.br/site/default.php?cod=noticias&id=538
• Jogos Matemáticos – Brincando se Aprende Matemática - www.pdfqueen.com
• RSE Informa – Caiu na Rede é Notícia – Alfabetização Emocional - www.rse.org.br
• PortoWeb Portal do Cidadão – Porto Alegre – Vários Artigos - www1.prefpoa.com.br

São Vicente, 16 de abril de 2010.

Marina S. Rodrigues Almeida
Sócia-proprietária do Instituto Inclusão Brasil

sábado, 3 de abril de 2010

O USO DAS PULSEIRAS COLORIDAS OU SNAP GAME




Marina da Silveira Rodrigues Almeida
Consultora em Educação Inclusiva
Psicóloga e Pedagoga Especialista
Instituto Inclusão Brasil
inclusao.brasil@iron.com.br

O “Snap Game” (jogo de arrancar em português) é alegadamente um jogo em que os adolescentes usam pulseiras de silicone de várias cores, para assim transmitirem uns aos outros mensagens de conteúdo sexual. Estas pulseiras, agora chamadas “pulseiras do sexo”, foram muito populares na década de oitenta. Trata-se de um jogo inventado na Inglaterra e já globalizado. Envolve crianças entre oito e onze anos, onde o objetivo é arrebentar pulseirinhas de silicone que a garotada tem usado aos montes nos braços. Essas pulseiras têm cores variadas com seus respectivos significados; um código para que algum contato íntimo aconteça se ela for arrebentada do braço.
A visão de sexualidade que paira no ar quando se fala das "pulseiras coloridas" certamente é o cerne da questão. Os pais sentem-se perdidos e assustados quando seus filhos e, especialmente meninas de 7 aos 11 anos, trazem a tal novidade para casa. O uso do adereço não deve ser proibido na escola para não interferir nas decisões da família. As conversas tanto em casa como na escola seriam as formas mais humanizadoras e educativas para se resolver este modismo. Pais e professores são os responsáveis pela educação e devem avaliar as particularidades das situações e tomar as atitudes que acharem corretas, lembrando que só através das relações e vínculos confiáveis o ser humano cresce.
A maior dificuldade é enfrentar o tabu do sexo, que é uma tradição ainda da sociedade humana em não se falar afetivamente sobre o assunto. Contudo, muito menos hoje, mas ainda há impactos relevantes nas famílias e na escola conjugadas a uma ação midiática perversa da banalização dos afetos ligados a sexualidade e erotização infantil cada vez mais precoce. Tudo isso precisa ser pensado e não coibido, mas transformado.
A saída é o diálogo apontar para outra visão possível sobre a sexualidade humana: a linguagem do afeto, do respeito, a consideração pela diferença, o acolhimento do outro, o cuidado e o amor. A acolhida das crianças e adolescentes, a escuta do que eles nos têm a dizer, a informação e o diálogo são atitudes muito mais recomendadas do que a simples proibição. O proibir por proibir é a omissão, é negligenciar, é apenas uma moral vazia de significados. É sempre mais gostoso fazer a transgressão e isso não contribui em nada para que ajudemos as crianças e jovens a serem seres humanos afetuosos e éticos.
O jogo das pulseirinhas gera estranheza por estar no universo infantil em processo de desenvolvimento formativo e educativo. Envolve a relação entre os gêneros, em que a menina escolhe uma prática sexual desvinculada do laço afetivo com um parceiro específico e em que a supremacia da escolha da prática sexual cabe ao menino, que passa a ter direito de seu usufruto junto ao sexo feminino, ou seja, a desqualificação do feminino como objeto apenas sexual e descartável. Desde Freud sabemos que a sexualidade infantil transcende as práticas sexuais e está ligada ao desejo de viver, na curiosidade para aprender, na criatividade e na capacidade de articular laços sociais, amorosos e sexuais com o outro.
O que observamos é que essa história vem ao encontro de uma série de preocupações que os pais têm com seus filhos – a vivência de sua sexualidade. E talvez o temor de que as coisas estejam ocorrendo debaixo de seus olhos e eles não estejam enxergando. Talvez o que tenha assustado os pais seja justamente isso – se dar conta de que o filho tem uma sexualidade que está sendo vivida cada vez mais precoce. E, portanto, estão tendo que orientá-los nesse assunto. Muitos receiam que, caso abordem esse tema, vão despertar neles algo que não é natural. Então, preferem não fazê-lo. Mas isso é um engano, principalmente nos dias de hoje, em que as coisas são mais ditas, inclusive pelos meios de comunicação.
A primeira consideração é que esse é um jogo, entre outros, tipicamente adolescente. Colocar no corpo um acessório que diga alguma coisa da sua identidade e intenções é comum na adolescência e faz parte da construção da identidade adulta. Usar uma pulseira quadriculada enquadra na turma dos “emos” e isso fala dos gostos, dos amigos e da ideologia daquela tribo, além de dar a sensação de pertencimento, de não estar sozinho em um mundo cuja enorme dimensão foi recém descoberta. O problema com as pulseirinhas do sexo é que não estamos falando de adolescentes e sim de crianças que não sabem direito do que se trata. Notamos que a maioria das crianças não sabe do significado das pulseirinhas e as usa simplesmente porque acham bonitas. Depois de descobrirem a conotação sexual, algumas crianças estão deixando de usar o adereço.
O fato de usar a pulseira funciona como um consentimento para participar do jogo, mesmo que a criança não saiba sobre as “regras”. Para a tranqüilidade dos pais, não há evidências de que as crianças estão chegando à via de fato, mas estão falando de fazer coisas que elas não entendem. Isso é conseqüência da exposição sexual a que elas estão submetidas desde cedo e a precocidade com que têm vivido determinadas experiências sexuais nos meios de comunicação e as vezes no próprio ambiente familiar.
Para a psicanálise, o sintoma é sempre o retorno do recalcado que foi armazenado no inconsciente pela repressão. Esse sintoma pode ser no corpo ou nos atos de uma pessoa, mas também pode ser social. O Snap Game feito por crianças é um sintoma social produzido por nós, que perdemos as fronteiras entre o que é do mundo infantil, o ser criança, o que é ser adolescente e o que é do mundo adulto.