quarta-feira, 11 de maio de 2011

O QUE É DISCALCULIA?




1. O que é discalculia?

A palavra discalculia vem do grego (dis, mal) e do Latin (calculare, contar) formando: contando mal. Essa palavra calculare vem, por sua vez, de cálculo, que significa o seixo ou um dos contadores em um ábaco.



A Discalculia é uma desordem neurológica especifica que afeta a habilidade de uma pessoa compreender manipular números

Os transtornos de aprendizagem tais como: a dislexia, a dispraxia, disgrafia, a discalculia é diagnosticada uma deficiência específica na leitura, na escrita e na matemática. Os indivíduos que apresentam um baixo rendimento escolar, lentidão extrema da velocidade de resolução de questões, esperado para seu nível desenvolvimento e escolaridade.

De acordo com o National Joint Committee on Learning Disabilities –NJCLD2 , "Dificuldades de aprendizagem" é um termo genérico que diz respeito a um grupo heterogêneo de desordens manifestadas por problemas significativos na aquisição e uso da capacidades de escuta, fala, leitura, escrita, raciocínio ou matemáticas.

A Discalculia é como uma desordem estrutural da maturação das capacidades matemáticas, sem manifestar, no entanto, uma desordem nas demais funções mentais generalizadas. A criança com discalculia enfrenta uma série de dificuldades na prática de lidar com os números, em que os erros com as operações, a confusão de sinais matemáticos, problemas com orientação espacial, entender palavras, dificuldade em lidar com grandes quantidades entre outras.

2. O que causa discalculia?

Os cientistas procuram ainda compreender as causas da discalculia, e para isso têm investigado em diversos domínios.
Neurológico: Discalculia foi associada com as lesões ao supramarginal e os giros angulares na junção entre os lóbulos temporal e parietal do cortex cerebral.
Déficits na memória trabalhando: Adams e Hitch discutem que a memória trabalhando é um fator principal na adição mental. Desta base, Geary conduziu um estudo que sugerisse que era um deficit de memória para aqueles que sofreram de discalculia. Entretanto, os problemas trabalhando da memória não confundidos com dificuldades de aprendizagem gerais, assim os resultados de Geary não podem ser específicos ao discalculia mas podem refletir um déficit de aprendizagem maiores.

Pesquisas feitas por estudiosos de matemática mostraram aumento da atividade de EEG no hemisfério direito durante o processo de cálculo algorítmico. Há alguma evidência de déficits direitos do hemisfério na discalculia.

Outras causas podem ser:
Memória a curto prazo que está sendo perturbada ou reduzida, fazendo-a difícil de recordar cálculos.
Desordem congênita ou hereditária. As indicações da mostra dos estudos desta, mas não são ainda concretos.
Uma combinação destes fatores.



3.Quais os sintomas da discalculia?

O indivíduo com discalculia pode ser capaz de entender conceitos matemáticos de um modo bem concreto, uma vez que o pensamento lógico está intacto, porém tem extrema dificuldade em trabalhar com números e símbolos matemáticos, fórmulas, e enunciados. Ela é capaz de compreender a matemática representada simbolicamente (10 + 3= 13), mas é incapaz de resolver o problema: "Maria tem dez balas e João tem três. Quantas balas eles tem no total?"
Dificuldades freqüentes com os números, confundindo as operações de adição, subtração, multiplicação e divisão.
Problemas de diferenciar entre esquerdo e direito.
Falta de senso de direção (para o norte, sul, leste, e oeste) e pode também ter dificuldade com um compasso.
A inabilidade de dizer qual de dois números é o maior.
Dificuldade com tabelas de tempo, aritmética mental, etc.
Melhor nos assuntos tais como a ciência e a geometria, que requerem a lógica mais que as fórmulas, até que um nível mais elevado que requer cálculos seja necessário.
Dificuldade com tempo conceitual e julgar a passagem do tempo.
Dificuldade com tarefas diárias como verificar a mudança e ler relógios analógicos.
A inabilidade de compreender o planejamento financeiro ou incluir no orçamento, nivelar às vezes em um nível básico, por exemplo, estimar o custo dos artigos em uma cesta de compras.
Tendo a dificuldade mental de estimar a medida de um objeto ou de uma distância (por exemplo, se algo está afastado 10 ou 20 metros).
Inabilidade de apreender e recordar conceitos matemáticos, regras, fórmulas, e seqüências matemáticas.
Dificuldade de manter a contagem durante jogos.
Dificuldade nas atividades que requerem processamento de seqüências, do exame (tal como etapas de dança) ao sumário (leitura, escrita e coisas sinalizar na ordem direita). Pode ter o problema mesmo com uma calculadora devido às dificuldades no processo da alimentação nas variáveis.
A circunstância pode conduzir em casos extremos a uma fobia da matemática e de dispositivos matemáticos (por exemplo números).



4.Quais são os tipos e graus de discalculia?

Temos seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos:

1.Discalculia Verbal - dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.

2.Discalculia Practognóstica - dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente.

3.Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de símbolos matemáticos.

4.Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de símbolos matemáticos.

5.Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.

6.Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.

Dependendo do grau de imaturidade neurológica da criança, a discalculia pode

ser considerada em distintos graus:



1. Leve - o discalcúlico reage favoravelmente à intervenção terapêutica.



2. Médio - configura o quadro da maioria dos que apresentam dificuldades

específicas em matemáticas.

3. Limite - quando apresenta lesão neurológica, gerando algum déficit intelectual.



5.Quais os comprometimentos?

·Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior;

·Conservar a quantidade: não compreendem que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas.

·Seqüenciar números: o que vem antes dos 11 e depois dos 15 – antecessor e sucessor.

·Classificar números.

·Compreender os sinais +, - , ÷, ×.

·Montar operações.

·Entender os princípios de medida.

·Lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas.

·Estabelecer correspondência um a um: não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras.

·Contar através dos cardinais e ordinais.

Os processos cognitivos envolvidos na discalculia são:

1. Dificuldade na memória de trabalho;

2. Dificuldade de memória em tarefas não-verbais;

3. Dificuldade na soletração de não-palavras (tarefas de escrita);

4. Não há problemas fonológicos;

5. Dificuldade na memória de trabalho que implica contagem;

6. Dificuldade nas habilidades viso-espaciais;

7. Dificuldade nas habilidades psicomotoras e perceptivo-táteis.

São 7 os requisitos necessários para o aprendizado de matemática e as dificuldades causadas pela discalculia:

Ter compreensão dos conceitos de igual e diferente, curto e longo, grande e pequeno, menos que e mais que. Classificar objetos pelo tamanho, cor e forma Reconhecer números de 0 a 9 e contar até 10. Nomear formas. Reproduzir formas e figuras. Problemas em nomear quantidades matemáticas, números, termos, símbolos Insucesso ao enumerar, comparar, manipular objetos reais ou em imagens 6 a 12 anos.

Agrupar objetos de 10 em 10. Ler e escrever de 0 a 99. Nomear o valor do dinheiro. Dizer a hora. Realizar operações matemáticas como soma e subtração. Começar a usar mapas. Compreender metades, quartas partes e números ordinais. Leitura e escrita incorreta dos símbolos matemáticos 12 a 16 anos.

Capacidade para usar números na vida cotidiana.Uso de calculadoras. Leitura de quadros, gráficos e mapas. Entendimento do conceito de probabilidade.Desenvolvimento de problemas.Falta de compreensão dos conceitos matemáticos.Dificuldade na execução mental e concreta de cálculos numéricos.



6.Tem discalculia, esta destinada ao insucesso escolar?

Não, se for tratada precocemente. Alunos que apresentam os sintomas de discalculia podem freqüentar normalmente as salas de aula, pois, esse distúrbio tem um tratamento específico acompanhado por uma equipe de especialistas que tentar minimizar os efeitos dessa dificuldade em manipular os números.



7.A criança que tem discalculia pode ser reprovada?

Não, mas isso vai depender de como a criança está sendo avaliada.



8.Discalculia é um problema hereditário?

Sim ou congênito, mas não há nada comprovado.

9.Que profissional os pais devem procurar?

O diagnóstico do indivíduo pode ser notado já na pré-escola, quando ainda estar aparecendo alguns sinais do distúrbio, quando a criança apresenta dificuldade em responder às relações matemáticas, tais como: igual e diferente, maior menor. Mas ainda é cedo para um diagnóstico preciso. É só a partir dos sete ou oito anos, com a introdução dos símbolos específicos da matemática e das operações básicas, que os sintomas se tornam mais visíveis.

É importante chegar a um diagnóstico o mais rapidamente para iniciar as intervenções adequadas. O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar - Neurologista, Psicopedagogo, Fonoaudiólogo, Psicólogo - para um encaminhamento correto. Não devemos ignorar que a participação da família e da escola é fundamental no reconhecimento dos sinais de dificuldades.

Deve-se ter muito cuidado ao fazer um pré-diagnostico de uma criança com suspeita de discalculia, pois podemos estar cometendo um erro muito serio, bem como estar rotulando essa criança a um distúrbio que ela não tem, condenando um aluno para o resto de sua vida. Um fator muito importante é fazer a eliminação de suspeita de outros distúrbios tais como: acalculia é a total falta de habilidade para desenvolver qualquer tarefa matemática, que geralmente indica um dano cerebral. Esse problema afeta a criança a aprender os princípios básicos da contagem.



10.Quais são os tipos de intervenções pedagógicas?

O tratamento é efeito de forma minuciosa, em que o psicopedagogo é o protagonista dessa longa e árdua caminhada. A participação de outros profissionais é vista como uma valiosa participação tornando os trabalhos muito mais significativos. Entre eles o acompanhamento de neurologista, de um psicólogo, de um terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e a família. O paciente deve estar inteiramente disposto a aceitar o problema e o seu tratamento que dispõe de muitos custos.

Idealmente, os transtornos de aprendizagem devem ser tratados a partir de um conceito multidisciplinar, biopsicossocial. A avaliação deve ser abrangente e considerar todos os possíveis fatores que possam estar contribuindo para o problema. O cerne do atendimento é psicopedagógico, mas outros profissionais podem contribuir de forma significativa.

O médico neurologista, por exemplo, pode excluir e/ou tratar fatores agravantes, tais como transtornos de ansiedade, depressão hiperatividade, epilepsia etc.

As psicólogas desempenham um papel importante no diagnóstico do potencial intelectual, perfil neuropsicológico bem como diagnóstico e tratamento de fatores motivacionais e afetivos correlatos.

Outros profissionais, como fonoaudiólogas e terapeutas ocupacionais podem contribuir significativamente no atendimento de dificuldades da linguagem e/ou da coordenação motora, atenção etc. O ideal é que o plano de tratamento seja formulado de forma colaborativa entre a criança, os pais, as educadoras e os demais profissionais.

Uma avaliação neuropsicológica permite reconhecer os pontos fortes e fracos das crianças contribuindo para o planejamento das estratégias mais eficazes de intervenção. O tratamento deve focalizar os níveis orgânicos, educacionais e psicológicos. Apesar de o tratamento ser multidisciplinar, nem todas as intervenções devem ser realizas simultaneamente. O tratamento é implementado em longo prazo e envolve um custo enorme em termos de recursos de trabalho e tempo, emocionais, financeiros etc.

Devem ser estabelecidas prioridades, de comum acordo entre os envolvidos. Nenhum tratamento será eficaz se não for aceito pelo cliente principal que é a criança. É preciso considerar também e fazer bom uso dos recursos disponíveis na comunidade.

O atendimento deve ser coordenado por um profissional de referência, o chamado case manager, no qual a família e o cliente confiam e o qual conhece a fundo o caso e as necessidades da criança.

Pode-se perceber que o tratamento da discalculia é composto por profissionais tanto na área educacional e também de profissionais da área da saúde. Assim, é notória a gravidade e a importância de se conhecer e saber lidar com a discalculia que é cada vez mais presente e cada vez menos difundida.

A ansiedade e a depressão podem estar presentes nos transtornos de aprendizagem, sempre se deve avaliar a importância desses componentes no agravamento dos problemas com a matemática.

O prognóstico das discalculias de desenvolvimento depende de variáveis tais como: severidade do transtorno, grau de deficiência da criança na execução de provas neuropsicológicas, prontidão para iniciar o tratamento e a cooperação dos pais como coadjuvantes do tratamento.



11. O que ocorre com crianças que não são tratadas precocemente?

Além de ser muito freqüente, a discalculia do desenvolvimento compromete o desenvolvimento do indivíduo de diversas formas:

1) contribui para a redução da escolarização profissional e da qualificação profissional;

2) afeta o bem-estar do indivíduo e da família, causando estresse, desmoralizando a criança, diminuído sua auto-estima, a motivação para o estudo e podendo ser um fator contributório para formas de transtornos mentais;

3) a frustração associada às dificuldades crônicas de aprendizagem associa-se ao surgimento de comportamentos desadaptativos do tipo desobediência, agressividade e comportamentos anti-sociais.

De um modo geral, a educação matemática insuficiente compromete o funcionamento do indivíduo na vida cotidiana e social, sendo um dos principais fatores associados com desemprego e renda inferior.

Quanto mais precoce for o diagnóstico, o professor juntamente com a equipe multidisciplinar poderá atuar como minimizadores dos sintomas que a discalculia manifesta. Sendo assim, o discalculio passa a ter um novo desenvolvimento nas suas práticas educacionais, com menos dificuldades, com um maior desempenho escolar, conforto e acima de tudo proporcionar uma vida cada vez mais próxima da normalidade. Não se pode apenas pensar em diagnosticar o indivíduo, deve-se também analisar qual é o melhor tratamento e esse deve ser feito de forma sistemática com uma equipe multidisciplinar preparada com total apoio e confiança não só pela família, mas sim da principal cliente que é o discalculio.