Prof. José Pacheco
Nem a psicologia objetiva, representada pelo Behaviorismo de Skinner, com suas tentativas de reduzir a atividade consciente a esquemas simplistas baseados nos reflexos; nem a psicologia subjetiva, que estuda as funções humanas complexas de modo puramente descritivo e fenomenológico, como a Gestalt de Koffka; nem a Psicologia Construtivista de Piaget, entendendo o ser humano como abstrato e construindo-se a partir da maturação, representam um modelo satisfatório da psicologia humana (Vygotsky, 1991).
O entendimento de que o desenvolvimento humano independe da aprendizagem desconsidera as determinações históricas, não se constituindo, ainda, a compreensão da totalidade do ser humano (Vygotsky, 1991). A crítica também se estende à psicologia construtivista de Piaget que, embora considere a interação entre o biológico e o social, prioriza a maturação, entendendo que a aprendizagem deve aguardar pelo desenvolvimento real, compreendendo o sujeito como abstrato e universal, inserido em uma sociedade estruturada harmonicamente.
Vygotsky propõe que o ser humano seja estudado na sua unidade e na sua totalidade, considerado como um ser multideterminado: integra, numa mesma perspectiva, o homem enquanto corpo e mente, enquanto ser biológico e ser social, enquanto membro da espécie humana e participante de um processo histórico (Oliveira, 1997, p. 23).
É no espaço escolar que a criança deve se apropriar ativamente dos conhecimentos acumulados e sistematizados historicamente pela humanidade, formulando conceitos científicos. A escola tem um papel insubstituível nessa apropriação, pois, enquanto agência formadora da maioria da população, deve ter intencionalidade e compromisso explícito de tornar acessível a todos os alunos o conhecimento. Mas a escola não tem cumprido seu papel.
O professor é o principal mediador, devendo estar atento, de modo a que todos os alunos se apropriem do conhecimento e alcancem funções superiores da consciência, pois é a aprendizagem que vai determinar o desenvolvimento.
Os alunos têm diferentes níveis de desenvolvimento, tanto real quanto potencial. O professor, em situações de interacções significativas, deve possibilitar que cada um seja agente de aprendizagem do outro.
Num momento, o aluno aprende: em outro, ele ensina.
O desenvolvimento não é linear; é dinâmico e sofre modificações qualitativas.
