quarta-feira, 11 de maio de 2011

Entre o desejo e a realidade


 
Prof. José Pacheco
Colaborador do Instituto Inclusão Brasil
Especialista em Música e em Leitura e Escrita, é mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Foi diretor da Escola da Ponte,Vila das Aves, Portugal

"A infância tem valor, näo tanto como período de adestramento, mas como período em que se pode experimentar livremente aquela maravilhosa sensaçäo de sermos nós próprios, que predispöe a aceitar melhor as inevitáveis limitaçöes da vida adulta" (Biasutti, B., 1973). Mas de que modo a Escola opera a superaçäo do egocentrismo? A escola  introduz um elemento novo no psiquismo infantil: o do êxito intelectual. Faz rodear a criança de uma atmosfera de pressäo organizada a que, antes, näo fora submetida. Leva a efeito uma contínua selecçäo entre os alunos."O processo de aprendizagem desenvolve-se numa atmosfera que exaspera as dinâmicas  emotivo--afectivas e fomenta um conformismo de superfície que mascara o mais aceso individualismo (...) é de facto necessário repará-la a tempo para a sua futura inserçäo disciplinada no trabalho e na sociedade" (Biasutti).
A espontaneidade cede aos raciocínios abstractos. A imaginaçäo e a fantasia apagam-se sob o peso de exercícios impostos. O professor, quando receia perda de controlo, cria desconfianças relativamente a comportamentos infantis, no seu critério, näo-aceites socialmente. A realidade da criança é substituída pela realidade do adulto que nela se projecta. Até mesmo quando a escola se reivindica de uma or-ganizaçäo de trabalho centrada no aluno, essa situaçäo se verifica, ou mesmo se agrava. A gestäo "centrada no aluno" liberta o professor para posiçöes de observaçäo. Nestas, ele exerce um controlo individual e permanente, que seria inviável em ensino directivo, no qual o professor interage com todos os alunos, a todo o instante. Essa posiçäo de livre observador confere ao professor o privilégio de uma intervençäo permanente e imediata, enquanto gera no aluno uma autonomia censurada.
A autonomia em pedagogia negativa pode ser, como acabo  de expôr, uma perversäo de autonomia. Quando procede à crítica de Rosseau, Schérer refere que "o fulcro continua a ser (...) mais do que nunca, o educador (...) seguro de si, tanto mais omnipresente quanto näo pode pôr-se à margem, estendendo a todos os actos da vida do seu aluno o seu direito de controlo e de olhar" (Schérer, R., 1982: 83).
Ao nível das regras, a intervençäo do educador é permanente. Em nome da sua própria protecçäo, a criança vê-se submetida a um controlo generalizado. Porém, "na infância, näo é só o outro mas o próprio quem está implicado, e o olhar inqui-sidor lançado sobre a criança é também, e em primeiro lugar, o impossível olhar lançado sobre si" (Schérer). O professor, ainda que se reclame de uma posiçäo demissionária, estará sempre presente a administrar o poder e a regular os afectos. "O adulto näo quer a criança outra, mas procura-se nela; näo quer tê-la como interlocutor, julga-a apenas moldável; espera dela, sobretudo a sua auto-afirma-çäo. Se fosse caso de se fazer de novo, ele recomeçar-se-ia certamente na infância, mas näo sendo possível, escolhe perpetuar-se nela; por isso está atento a que o fortaleça nas suas certezas e näo o desiluda" (Schérer). Este autor alude ainda de um "desvio da infância" que força o desejo infantil a dirigir-se para "os simulacros que lhe säo propostos".

Autonomia e Psicanálise



Prof. José Pacheco
Colaborador do Instituto Inclusão Brasil
Especialista em Música e em Leitura e Escrita, é mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Foi diretor da Escola da Ponte,Vila das Aves, Portugal

Em que sentido pode a psicanálise (como ciência aplicada) ter "aplicaçäo" nas práticas educativas? Mosconi (1986) dá-nos uma possível resposta quando refere que "numa prática pedagógica näo será a psicanálise a comandar, nem como prática, nem como teoria científica, mas essa mesma prática, com os fins que se propöe".
Apesar de a psicanálise ser considerada determinista por considerar o adulto retroactivo, para Freud a educaçäo consiste, fudamentalmente, em desenvolver na criança um eu capaz de se determinar. E a formaçäo do super-ego exigirá um meio educativo em que intervém determinadamente no campo intelectual, como no da acçäo, a afectividade. Entre as noçöes introduzidas por este autor, destaca-se o "princípio do prazer" (tendência para a satisfaçäo das necessidades) e o "princípio da realidade" (submissäo aos constrangimentos sociais). Entre os seus discípulos, e no campo restrito da educaçäo, merecem referência:  Mélanie Klein, que interpretava perturbaçöes neuróticas através do jogo; Hans Zulliger, que criava situaçöes de jogo para que nelas as crianças simbolizassem os seus conflitos traumatizantes; Maud Mannoni, que, através do desenho e do teatro de fantoches, permitia a verbalizaçäo das perturbaçöes; Ana Freud, que divulgou a psicanálise junto dos educadores, ajudando-os na interpretaçäo do psiquismo infantil. Neste âmbito, também merece referência Alfred Adler, criador da "psicologia individual", que viria a exrcer  alguma influência no apogeu da Educaçäo Nova.
A psicanálise näo descura o papel da auto-educaçäo. Mas sustenta que o educador deve "dar o exemplo", näo o seu exemplo, mas a imagem ideal que sustenta a benevolência, atençäo, compreensäo. Confere a maior importância às relaçöes interpessoais. Realça o conteúdp afectivo e emocional dessas relaçöes, raramente contemplado pela escola. Por isso, recusa a reduçäo da curiosidade e interrogaçöes infantis ao domínio do cognitivo.
Filloux conclui que tudo o que diz respeito à criança e à escola deve ser estudado numa perspectiva relacional. Mas reconhece que näo foi ainda possível aproximar os psicanalistas dos especialistas em Ciências de Educaçäo, de modo a promover um "saber psicanalítico" aplicável à Educaçäo.O que a psicanálise requer ao educador é, no fundo um discernimento suficiente para se descobrir e se reconhecer, o que näo é tarefa fácil, dada a dificuldade de transpôr o potencial da psicanálise para a práxis pedagógica.
Também neste capítulo säo inúmeros os equívocos Podemos encontrar falsos adultos, para os quais o contacto com crianças é um meio inconsciente de recuperaçäo pessoal da infância, que funciona como fuga à realidade, ou concretizaçäo do reconhecimento de poder e consideraçäo. Outro desvio consiste na manipulaçäo dos desejos. Schmidt e Reich, no enunciado de princípios psicanalíticos do trabalho, säo objectivos: "a nossa tarefa é (...) ensinar a criança a compreender progressivamente o significado das condiçöes reais do mundo exterior e assim incitá-la a ultrapassar o princípio do prazer, a substituir este pelo princípio da realidade".

Neill



Prof. José Pacheco
Colaborador do Instituto Inclusão Brasil
Especialista em Música e em Leitura e Escrita, é mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Foi diretor da Escola da Ponte,Vila das Aves, Portugal


Ellen Key, vinte anos antes de Summerhill, prefigura a realidade desta experiência, ao afirmar que os pais e a escola afogam a individualidade da criança e que é preciso que o professor a liberte dessas amarras.
Se considerarmos a experiência dos libertários de Hamburgo como um malogro, é em Neill que encontramos os limites da liberdade possível. Diria mesmo que, sem a sua radicalidade, se perderia uma importante referência. Os movimentos que se seguiram à Educaçäo Nova têm em Summerhill um primeiro ensaio de aplicaçäo psicanalítica.
Neill foi profundamente influenciado por Freud e Reich. Promove uma ruptura profunda com os teóricos do seu tempo (e da Escola Nova), ainda que reactualize algumas perspectivas de Rosseau. É por esta razäo que situo Neill numa fase transitória marcada pela recusa da especulaçäo teórica (é contra esta especulaçäo que Freneit também reage).
Neill acredita na eficácia da regulaçäo pelo desejo. Cria um ambiente de aceitaçäo. sem ameaças  nem medos, para que a criança possa exprimir-se aprender a gostar de si própria. Mais do que renunciar à pescriçäo, o adulto-educador renuncia a julgar. Ao adulto compete criar condiçöes em que o desejo possa cumprir-se."Em Summerhill acredito termos provado que a autonomia funciona. Realmente, a escola sem autonomia näo devia ser chamada escola progressiva. E uma escola näo faz concessöes. Näo podemos ter liberdade a näo ser que as crianças se sintam livres para governar a sua própria vida social. Quando há um paträo, näo há liberdade real. Isso  aplica-se ainda mais aos chefes benévolos do que aos disciplinadores. A criança de espírito pode rebelar-se contra o chefe áspero, mas o chefe que usa de brandura ape-nas faz a criança sentir-se frouxa, e insegura quanto aos seus sentimentos reais".( Neill, A., 1976: 47-48).
Ao educador compete ainda representar um "princípio de realidade" näo repressivo, cujas necessidades seräo reconhecidas e assumidas com as próprias crianças. Neill é considerado adepto de uma liberdade sem limites, mas ele próprio reconhece näo haver liberdade absoluta. Reage contra a coercividade da educaçäo inglesa, maas näo vai ao ponto de rejeitar toda e qualquer disciplina, que considera como desinteresse do professor em relaçäo à evoluçäo do aluno.
O que me interessa sublinhar neste autor é a sua convicçäo de que a concepçäo tradicional de disciplina näo pode conduzir a criança à autonomia: "a autonomia é a conduta inspirada pelo eu e näo por uma força exterior". Neill considera que a criança näo deve ser forçada a fazer algo, antes de  ter reconhecido que o deve fazer. Resta saber se esse reconhecimento se opera por manifestaçäo do desejo e a resposta näo é simples. Neill ainda a adensa quando, ao esbater o dilema autoridade/ näo-autoridade refere que o que se faz à criança näo é importante, mas sim o modo como se faz.
A presunçäo da interferência do educador é o que distingue Neill das experiências libertárias de Hamburgo. Esta interferência apoia-se na compreensäo analítica da existência de recalcamentos e de culpabilizaçöes na criança. O educador-analista interfere com a sua própria personalidade numa funçäo "paternante". Näo há aquisiçäo de saber sem medo. E, por isso, a "liberdade sem medo" já näo é a liberdade ingénua da Educaçäo Nova. O desejo da criança é resultante de múltiplas influências e Neill procura desmitificá-las. Este autor ocupa uma fase embrionária da introduçäo da psicanálise na educaçäo.

MATERIAL CUISENAIRE - COMO UTILIZAR



Um pouco de História …

O Material Cuisenaire tem mais de 50 anos de utilização em todo o mundo.
Foi criado pelo professor belga Georges Cuisenaire Hottelet (1891-1980) depois de ter observado o desespero de um aluno, numa das suas aulas.
Decidiu criar um material que ajudasse no ensino dos conceitos básicos da Matemática. Então cortou algumas réguas de madeira em 10 tamanhos diferentes e pintou cada peça de uma cor tendo assim surgido a Escala de Cuisenaire.
Durante 23 anos, Cuisenaire estudou e experimentou o material que criara na aldeia belga de Thuin.
Só 23 anos depois da sua criação (a partir de um encontro com outro professor – o egípcio Caleb Gattegno), é que o seu uso se difundiu com enorme êxito. O egípcio, radicado na Inglaterra, passou a divulgar o trabalho de Cuisenaire – a quem chamava de Senhor Barrinhas.
Levou apenas 13 anos para passar a ser conhecido nas escolas de quase todo o mundo.
Feito originalmente de madeira, o Cuisenaire é constituído por modelos de prismas quadrangulares com alturas múltiplas da do cubo – representante do número 1 – em 10 cores diferentes e 10 alturas proporcionais.


COR
NÚMERO
REPRESENTADO
Branco (ou cor de madeira)
1
Vermelho
2
Verde-claro
3
Rosa (ou lilás)
4
Amarelo
5
Verde-escuro
6
Preto
7
Castanho
8
Azul
9
Cor de laranja (ou cor de madeira
10




 


Actividades com o Material Cuisenaire – 1



Actividade 1

¨      Pinta da cor correspondente as barras que faltam pintar:








Actividade 2
¨      Pega numa barra de cada cor.
¨      Coloca na mesa essas barras pela ordem de tamanho, da menor até a maior.
1.      De que cor é a barra menor? ________________________________________________________
2.      De que cor é a barra maior? ________________________________________________________
3.      De que cor são as barras mais pequenas que a amarela? __________________________________
___________________________________________________________________________________
4.      Qual a barra imediatamente mais pequena que a amarela? ________________________________
5.      Quais são as barras maiores que a preta? ______________________________________________
___________________________________________________________________________________
6.      Qual a barra que é imediatamente maior que a preta? ____________________________________
7.      Qual a barra que está entre a verde-escuro e a castanha? _________________________________
8.      Quais são as barras que estão entre a amarela e a verde-escura? ___________________________
___________________________________________________________________________________


Actividade 3

1.      Quantas barras brancas são necessárias para formar uma barra do mesmo tamanho que a vermelha? _______________________________________________________________________
2.      Quantas barras brancas são necessárias para formar uma barra do mesmo tamanho que a verde-clara? __________________________________________________________________________
3.      Quantas barras brancas são necessárias para formar uma barra do mesmo tamanho que a cor-de-rosa? ___________________________________________________________________________
4.      Quantas barras brancas são necessárias para formar uma barra do mesmo tamanho que a amarela? ________________________________________________________________________

Actividade 4

Considera a barra branca como unidade de medida (a barra branca vale 1).

1.      Quanto vale a barra vermelha? ______________________________________________________
2.      Quanto vale a barra amarela? _______________________________________________________
3.      Quanto vale a barra castanha? ______________________________________________________

 

Actividade 5 – Representar números


1.      Constrói o número 7 com duas barras. Regista.















































































































2.      Sem repetires barras da mesma cor, de quantas maneiras diferentes podes representar o número 9. Representa-as na folha.































































































































                                                                                                    
3.      Forma o número 8, só com barras vermelhas e brancas.
      Quantas soluções encontraste? ____________________
      Regista-as.






























































































































Actividade 6 – O muro do pai do Afonso


1.      O pai do Afonso quer construir um muro usando tijolos “Cuisenaire”.
Escolhe um tijolo, para iniciar a construção, e constrói com ele um muro da mesma largura. Regista o teu muro no quadriculado.

























































2.      O pai do Afonso quer construir o muro ao lado.
Quais as adições representadas no muro?






































































 

Actividade 7


1.      Forma todos os “comboios” possíveis de comprimento equivalente ao “comboio” formado pela peça verde escura. Regista












































































































































































2.      Pretende-se fazer”comboios” só com carruagens iguais. Será possível fazer um comboio com carruagens vermelhas equivalente ao “comboio” laranja? E equivalente ao “comboio” preto? E ao “comboio”verde-escuro? Regista as tuas conclusões.





































































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3.      Constrói um “comboio” de carruagens cor-de-rosa com 16 unidades de comprimento.
Quantos “comboios” de uma só cor podem ser construídos com 16 unidades de comprimento?






















































































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Actividade 8 – Cobrir superfícies


1.      Com o material Cuisenaire cobre a superfície ocupada pela girafa da figura.


NOME: ______________________________ DATA: ______________________